Após 10 anos de tentativas, finalmente a programação da rádio pode entrar no ar
De a pezito, no trote a trote, a passos curtos… Foi assim que a Rádio Nativa FM começou. Lá em uma época difícil, distante de tanta tecnologia, com muitas dúvidas sobre Rádios FM “sobreviverem” em cidades do interior é que a Nativa começou a ser planejada.
Devido ao sonho de três guris, Jaime Medeiros Pinto (in memorian), Luiz Carlos Coaser e Cláudio Zappe, que por meados do ano de 1979 começaram a lutar por um espaço tão cobiçado nos meios de comunicação, surgiu a proposta de por no ar uma rádio FM num município do interior do Rio Grande do Sul: Santa Maria. Nessa época, em Santa Maria as Rádios AM dominavam o mercado radiofônico na cidade, onde a frequência FM havia apenas duas emissoras: a Cultura e a Atlântida FM.
Cogitado, na época, mais seis canais para a cidade, é que os três fundadores preencheram um edital para concorrer a uma vaga. Destes seis canais, dois já estavam preenchidos com as duas rádios FM já existentes, sobretudo sobravam ainda quatro canais a serem disputados com licitação ao Ministério Público (MP).
Segundo um dos fundadores, o Cláudio Zappe, na época levou-se seis anos para conseguirem entrar no primeiro edital para a conquista de uma vaga de por a rádio no ar, mas foi em vão, pois o Ministério Público, com muita cautela, cancelou esse edital devido aos movimentos de emissoras concorrentes que não queriam mais rádios para a cidade de Santa Maria. Foi então que o MP cancelou todos os editais previstos para deixar apenas as duas rádios FM funcionarem no município. “Para nós foi um susto, pois queríamos também um espaço. Mas isso não nos fez parar de buscar nosso sonho”, fala Zappe.
Sendo assim, os amigos contrataram o engenheiro Fernando Ferreira para fazer um projeto técnico referente a abrir outro canal de rádio em Santa Maria, o qual seria enviado ao MP para entrar em votação. Aprovado, a luta se estendeu por mais quatro anos, até que se abrisse novamente um edital, época na qual já haviam mais seis concorrentes.
Em dez anos, seis da primeira tentativa de abrir a rádio e quatro da segunda, muitos processos e questões mudaram e, desta vez, a questão era política. Como os três amigos não tinham partidos e nem preferências partidárias, eles mais uma vez perderam o que haviam obtido neste longo percurso.
Vendo a luta e a vontade de instalar uma Rádio FM diferenciada, com uma única e permanecente proposta, a de Nativista, foi que muitas pessoas do Estado Gaúcho e, também, de outros Estados, se sensibilizaram com a frustração novamente abatida sobre os amigos. Muitas cartas e telegramas foram enviados aos três sonhadores na época, comunicações nas quais traziam palavras amigas e incentivos para que eles não perdessem a missão que haviam adotado, a de instalar em Santa Maria uma rádio com programas e músicas nativistas.
Desolados e com vontade de abandonar tudo, os amigos resolveram ir ao Congresso Nacional, em Brasília-DF, para falar pessoalmente com senadores, deputados e ministros para tentar uma chance. Apoiados por toda a comunidade santa-mariense, a qual os concederam seis mil assinaturas com nome, telefone e endereço, o MP nunca chegou a ver as pilhas de papéis que foram entregues no Congresso Nacional. “Como não tínhamos vínculos políticos, tentamos sensibilizar o MP pelo apoio da comunidade”, lamenta Cláudio Zappe.
Em meio a tanta tristeza, eis que surge um ex-político nessa história, o qual ajudou a levantar a bandeira da tão sonhada rádio. Identificado com a proposta de por no ar uma rádio nativista e ao compreender o amor dos amigos Cláudio, Luiz e Jaime, pela concretização desse sonho, foi que Nelson Marchezan (in memorian), em uma pequena salinha que ocupava no Banco do Brasil, na cidade de Porto Alegre, atendeu e levou a frente a vontade dos três.
Na época, Marchezan prometeu ir à Brasília falar com o ministro das comunicações Antônio Carlos Magalhães, hoje já falecido, e conseguiu a resposta que tanto os amigos almejavam: seria aberto um novo edital e a rádio nativa enfim viria ao ar.
Após a conquista que se alastrou por 10 anos, a Rádio Nativa FM, que inicialmente se chamou Guarathan FM, entrou ao ar na manhã do dia 27 de abril de 1989, às seis horas, em caráter experimental. Já no ar, foi em meio de tantas fitas cassete e discos de vinil, que a Rádio Guarathan FM começou a trilhar seu destino.
Eis que então no dia 20 de julho de 1996 a frequência da emissora passou de 2KW para 20 KW. Isso permitiu que a programação da Nativa FM chegasse à 50 municípios gaúchos, o que ajudou a levar o amor no interior do Rio Grande e a mensagem da Nativa FM em muito mais lares.
O sonho se tornou real
Localizada na Galeria do Comércio, na Rua Dr. Bozano, em Santa Maria, em um espaço pequeno de 4×6 m², foi que a “Toca Nativa”, assim chamada por sua localização e espaço, ia ao ar todos os dias. No início as dificuldades financeiras para instalar a rádio começaram a surgir, mas um ato de amizade colaborou muito para que a Guarathan FM fosse o que é hoje.
O Grupo RBS emprestou, na época, um pedaço de sua torre para que pudessem por a antena e a casa de transmissores da Guarathan. Quem autorizou essa façanha foi Fernando Ernesto Correa, na época diretor do Grupo RBS.
Durante mais ou menos um ano a rádio ficou com o nome de Guarathan Nativa FM. Devido à audiência na época, e já conhecida por Nativa pelas suas canções nativistas apresentadas ao ar, os fundadores da emissora resolveram trocar o nome da Rádio para apenas Nativa FM.
Segundo Cláudio Zappe, a rádio ainda é a mesma, ou seja, tem o mesmo intuito do começo. “Alguns programas saíram do ar, outros novos foram incluídos, mas a proposta continua exatamente a mesma, o nativismo. Até hoje tocamos as músicas, informamos os nomes dos autores, a temperatura e a hora certa, basicamente como há 20 anos”, revela.
Devido a não credibilidade de muitas pessoas no começo da rádio, as quais não acreditariam que a Nativa pudesse vingar e, também, devido a pesquisas de IBOPE, nas quais o nome da emissora nem constava, foi que a direção resolveu implantar uma frase que era falada durante a programação: “cuidado se você esta ouvindo: esta rádio ela é uma rádio fantasma”. Após este merchandising que era falado durante a programação da emissora e que deu retorno e muita audiência, os fundadores da rádio começaram a querer expandir.
A vontade dos amigos era que a emissora ultrapassasse fronteiras e alcançasse novos paradigmas. Mas para este avanço começar, foi preciso contratar um engenheiro, o qual foi Gilberto Zeclinski, que confeccionou um projeto técnico seguido de uma severa legislação, onde deveriam constar as distancias e freqüências que seriam necessárias para abranger outros municípios. Após pronto o projeto, o engenheiro o enviou ao Ministério das Comunicações e se o mesmo estivesse correto seria cedido o aumento de potência.
Eis que então no dia 20 de julho de 1996 a frequência da emissora passou de 2KW para 20 KW. Isso permitiu que a programação da Nativa FM chegasse à 50 municípios gaúchos, o que ajudou a levar o amor no interior do Rio Grande e a mensagem da Nativa FM em muito mais lares.